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Especial Oscar 2011 – O Vencedor

fevereiro 14, 2011

Você já saiu do cinema com vontade de ir até uma academia e começar a lutar boxe? Eu já!

Leandro Samora


Crítica: O Vencedor

Outro dia meu irmão me chamou à sala para ver uma luta que ele estava assistindo. Os boxeadores desfilavam seus quase mil golpes por quase dez rounds e nenhum dos dois caía. Coisa de cinema. “Parece o Rocky”, disse meu irmão. Mas não era. Era Micky Ward em um de seus épicos confrontos com Arturo Gatti.

A história de Micky Ward é dessas fábulas modernas que você custa a acreditar que seja verdade, mas o fato de realmente ter acontecido dá aos eventos um aspecto todo especial. Suas lutas são cinematográficas e sua determinação, inspiradora. Merece ir pro cinema e virar um excelente filme… e foi. (Veja o filme e depois procure as lutas no Youtube!). O Vencedor (The Fighter, 2010) conta um trecho conturbado da vida de Ward (Mark Walbergh, no melhor papel que eu já vi ele fazer). Ward é um cara simples, gente boa, mas num constante dilema interno. Preza e respeita sua família, a coisa mais importante para ele. Por outro lado, sua família é justamente o maior problema de sua vida. Começou a lutar boxe pela admiração incondicional ao seu irmão, Dicky Ecklund (Christian Bale), um lutador que teve seu momento de glória ao nocautear o famoso Sugar Ray Leonard, mas que depois se afundou no vício do crack. A mãe dos dois (Melissa Leo), também empresária de Ward, tem uma noção de carinho pelo filho bastante controversa, esbarrando nos interesses pela sua carreira. As várias irmãs se limitam a ser uma extensão desse caráter duvidoso da mãe, um bando de papagaios empoleirados com seus cabelos estilosos da década de 90. E no meio disso tudo, Ward tentando segurar as pontas. Família grande, família problemática.

Em alguns momentos, O Vencedor lembra um pouco um livro de Will Eisner. O velho mestre da Era de Ouro dos quadrinhos criou várias histórias sobre as comunidades judaicas fechadas nas quais cresceu nos EUA, histórias nas quais os bairros adquiriam uma identidade própria graças às relações entre seus moradores e onde velhos conceitos como honra e orgulho eram questões vitais. A história de O Vencedor tem as raízes em Lowell, uma cidade operária em Massachussetts. Dicky Ecklund, a personagem do absurdamente bom Christian Bale, um dia foi conhecido como o Orgulho de Lowell, o motivo que dava alegria para toda sua comunidade e o nocaute em Sugar Ray foi o evento que o transformou no herói local. Entretanto, escolhas erradas o reduziram a – literalmente – metade do que ele um dia foi.

Logo, O Vencedor se transforma em não um filme de boxe, mas um filme sobre a honra, sobre a família. Porque Micky Ward não precisa simplesmente se tornar um boxeador; ele precisa resgatar a honra de seu irmão, fazer valer as oportunidades que o outro deixou passar. Precisa resgatar e se tornar o novo Orgulho de Lowell. E a comunidade se mostra dura no momento de cobrar isso.

Todos essa responsabilidade pesa, durante todo o filme, nos ombros da personagem de Mark Walbergh e o ator faz um excelente trabalho na hora de demonstrar todo esse sentimento. Na verdade, há tempos eu não via um filme no qual tantas atuações boas tomavam a tela. Christian Bale está excelente no papel do boxeador viciado, que também carrega uma carga dramática tremenda. A entrega do ator aos seus papéis já é notória – e a mudança de peso para cada filme já é figura marcada na internet. Melissa Leo, a mãe, também está ótima e é grande candidata ao Oscar, embora suas chances possam ter reduzido devido ao seu polêmico pedido de votos, coisa que a Academia não gosta nem um pouco. Amy Adams, no papel da namorada de Ward é outra atração à parte, embora não tenha tanto tempo de tela quanto Melissa Leo, por exemplo. A atriz vem numa ótima ascendência no cinema, sempre muito boa em seus papéis e é outra candidata a um anãozinho dourado.

O Vencedor é um filme empolgante e inspirador, com ótimas atuações. E, pô… “parece o Rocky”. Só que de verdade!

Indicações ao Oscar 2011:

Melhor Filme

Melhor Diretor (David O. Russel)

Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale – Dicky Eklund)

Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa Leo – Alice Ward)

Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams – Charlene Flaming)

Melhor Roteiro Original



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