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Especial Oscar 2011 – A Rede Social

fevereiro 14, 2011

Você curtiu esse filme? Então cutuque seu amigo e publique no seu mural. Simples assim.

por Ricardo Amarante


Crítica: A Rede Social

O retrato de uma geração. Esse foi um qualificativo utilizado para descrever Trainspotting, de Danny Boyle, em 1996. E foi retomado agora, para se referir ao novo filme do diretor David Fincher, A Rede Social (The Social Network). Porém, da mesma forma que era uma denominação extremamente desastrada quando aplicada ao filme de Boyle, ela também o é em relação à nova obra de Fincher. Um pequeno grupo de jovens escoceses, viciados em drogas e inconsequentes, ou seja, as personagens de Trainspotting, não é exatamente o retrato de uma geração, mas sim de uma parte dela. É uma tarefa impossível englobar todas as nuances dessa geração em um único filme. O motivo dos dois filmes receberem essa denominação é comum: ambos tratam de questões extremamente atuais, assuntos vistos em qualquer canal de televisão, nas páginas do jornal e da Internet. De um lado, os jovens sem rumo e a difusão das drogas sintéticas durante a década de 90, e, do outro, a malha de relações virtuais construídas em torno do Facebook, a rede social mais popular do mundo.

A proposta básica de A Rede Social, portanto, é contar toda a trajetória da fundação do site de relacionamentos, bem como os processos enfrentados pelo seu co-criador, Mark Zukenberg (Jesse Eisenberg, de A Lula e a Baleia e Zumbilândia, em interpretação acertada). Porém, não é apenas “o filme do Facebook”, mas uma tentativa, extremamente bem sucedida, de tecer um comentário irônico e inteligente sobre a comunicação no mundo moderno, sobre as relações interpessoais nos tempos de internet. Os principais responsáveis pelo filme não ser apenas a história de um jovem brilhante, que se torna o mais jovem bilionário do mundo, são o roteirista Aaron Sorkin e o diretor David Fincher. Sorkin, criador da maravilhosa série de TV The West Wing (1999-2006), é famoso por seus textos repletos de diálogos rápidos, inteligentes, por vezes excessivamente verborrágicos. É o tipo de roteiro que faz o espectador pensar: “As pessoas reais não dizem coisas tão adequadas e espertas com essa naturalidade”. A verborragia de Sorkin, que lembra a dos grandes dramaturgos, encontra a interpretação perfeita nas mãos de Fincher. O diretor é capaz de entregar um filme cheio de tensões, que prende a atenção do público, mas no qual as personagens se mantém sentadas, conversando, quase todo o tempo. Quando não estão sentadas destilando palavras afiadas, fazem isso de pé. E esse é um feito incrível desse grande diretor, que realizou obras perfeitas como Clube da Luta (Fight Club, 1999) e Zodíaco (Zodiac, 2007), mas parece que só após ter dirigido O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008) passou a chamar atenção dos responsáveis pelas premiações.

A criação do Facebook é contada, em meio a idas e vindas no tempo, tendo como foco central o processo movido pelo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield, o novo Homem-Aranha) contra seu ex-parceiro e ex-amigo Zukenberg. Os dois, alunos da Universidade de Harvard, se unem na criação de um website de interação social, baseados em uma ideia de Zukenberg, o Facemash (cujo invento é mostrado com um brilhantismo inusitado na longa sequência inicial). Tendo como base o Facemash, os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss estendem uma proposta de sociedade a Zukenberg, para a criação de uma rede social que englobasse os alunos de Harvard. Sem o conhecimento dos gêmeos, Zukenberg, com a ajuda de Saverin, cria outra rede, o afamado Facebook, despertando a ira dos Winklevoss. Com a entrada em cena de Sean Parker, papel perfeito para Justin Timberlake (sim, aquele cara do N’sync), Zukenberg vai se afastar cada vez mais do amigo Eduardo, enquanto observa o Facebook atingir mais de um milhão de usuários. Parker é o criador do Napster, o primeiro programa de compartilhamento de arquivos da internet, e uma espécie de popstar da informática. Ele funciona como uma espécie de agente ativador da ambição de Zukenberg, que, no caminho de se tornar bilionário, perde a confiança de seu único amigo.

Não importa se os eventos reais ocorreram dessa forma ou não. O que é significativo é a relevância que a mensagem trazida pelo filme possui. Qual é a satisfação ilusória que grande parte dos jovens atualmente tem ao observar uma lista de centenas de amigos no Orkut, no Facebook? Pessoas com as quais talvez nunca se encontrem, com quem nunca trocarão um aperto de mão, um abraço, das quais nunca ouvirão o som da voz. Isso representa, ao mesmo tempo, uma expansão da comunicação e um enfraquecimento nas relações interpessoais, um aumento na superficialidade dessas “amizades”. O Zukenberg cinematográfico, por exemplo, é o responsável pela criação de uma imensa malha de “amigos”, e, ao fazer isso, se torna rico e perde seu único amigo real. O verdadeiro Zukenberg serve apenas como base para a criação desse excelente filme, que, além de conseguir traçar uma interpretação tão pungente da comunicação virtual que rege o mundo atualmente, com seus defeitos e qualidades, foge de transformar suas personagens em nerds caricaturados. Eles são nerds reais, com sentimentos humanos. E isso é mostrado perfeitamente na cena final, quando, finalmente, os personagens param de falar. É difícil esquecer a solidão patética e extremamente triste impressa no rosto de Jesse Eisenberg, enquanto os Beatles cantam Baby, You Are a Rich Man, ao fundo. E é difícil deixar de notar o desespero silencioso expresso pelo olhar fixo do ator. Fixo na tela de um notebook.

Indicações ao Oscar 2011:

Melhor Filme

Melhor Diretor (David Fincher)

Melhor Ator (Jesse Eisenberger – Mark Zuckerberg)

Melhor Roteiro Adaptado

Melhor Trilha Sonora

Melhor Mixagem de Som

Melhor Fotografia

Melhor Edição


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One comment

  1. wow meninos, não sabia do porcapipa! Eu sei, novamente estou um pouco atrasada nos acontecimentos, mas gostei deste artigo do Ricardo, principalmente após ter assistido A Rede Social apenas semana passada…Escrevam algumas coisas mais recentes.. pq eu não consigo ver nada escrito antes de fev de 2011!! beijos!



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